Produtos e Serviços
 
     
 
   
   
   
   
   
   
     
 
Institucional
 
     
   
   
     
   
   
 

Originário do nordeste asiático, onde ocorre naturalmente em troncos de madeira de árvores em decomposição, o Lentinus edodes, ou Shiitake, foi o primeiro cogumelo comestível a ser cultivado no mundo. Seu cultivo racional se iniciou há mais de 1.500 anos na China, quando Wu San Kwung, um catador de fungos silvestres, encontrou o que ele chamou de "cogumelos perfumados". Ele observou que eles cresciam em troncos caídos e notou que o micélio passava de uma árvores para outra quando elas estavam encostadas, fazendo nascer novos cogumelos. Assim, levou diversas toras para sua casa e, juntando-as às que abateu, começou a cultivá-lo. Com o tempo, as técnicas foram sendo aperfeiçoadas e o cultivo se expandiu.
Atualmente na China e no Japão, o Shiitake é tão trivial na alimentação como o arroz e o feijão no Brasil. Ele ocupa o segundo lugar em consumo no mercado mundial e brasileiro, ficando somente atrás do champignon de Paris.
No Brasil, é muito utilizado na culinária asiática e seu consumo entre os brasileiros está crescendo. Além de saboroso, é um alimento nutritivo e saudável por se tratar de uma agricultura natural. O cultivo do fungo dispensa o uso de adubos e defensivos agrícolas (agrotóxicos), necessitando apenas de água limpa e madeira. Também não precisa de grandes áreas nem exige instalação sofisticada, o que viabiliza o cultivo para qualquer pessoa.
Quando Carlos Abe iniciou a produção, o Shiitake era ainda muito pouco conhecido dos brasileiros e havia um número bem pequeno de agricultores no ramo. Com o passar dos anos, ele desenvolveu novas técnicas de cultivo e linhagens desse fungo, procurando adapta-lo cada vez mais ao nosso clima. Hoje Carlos produz tanto o cogumelo como a matriz. A etapa de produção de semente envolve desde o campo experimental, onde são realizadas as provas e os testes de qualidade das sementes até toda a estrutura de um laboratório de biotecnologia. Os custos para se produzir a semente são muito altos, por isso o melhor, principalmente para quem está começando, é comprar o spawn de um laboratório especializado.

 
 
Classificação Científica
Reino

Fungi

Divisão

Basidiomycota

Classe

Homobasidiomycetes

Ordem

Agaricales

Família

Marasmiaceae

Gênero

Lentinula

Espécie

L. edodes

Nomenclatura binominal
Lentinula edodes
(Berk.) Pegler,
 

  Obtenção da Matriz
O primeiro passo para se iniciar o cultivo do Shiitake é encomendar a matriz. "O custo para produzi-la é muito alto, pois necessita de mão-de-obra especializada e de técnicas e equipamentos de laboratório apropriados. Antes de adquirir a matriz, é preciso preparar com antecedência o local onde será feita a inoculação.
Na hora de compra-la, deve-se fazer uma pesquisa de preços e apenas adquiri-la de uma empresa especializada, que detenha as técnicas de produção e laboratórios equipados. As condições de higiene também devem ser observadas.
O preparo da matriz tem de ser realizado em completa assepsia. Para que não haja contaminação por outras espécies de fungos, do contrário, as perdas no decorrer do cultivo serão altíssimas. Os laboratórios vendem, tanto só os potes com as sementes como os troncos já contaminados com o fungo.

COMO PREPARAR A MATRIZ

Primeiro deve-se cortar o cogumelo pela metade. Uma amostra é colocada em uma cultura dentro de um tubo de vidro com tampa, que permanece em uma câmera, com temperatura e umidade controladas. Após 30 dias, o micélio, antes de cor marrom, adquire uma cor esbranquiçada, nesse momento, ele irá passar por um processo de multiplicação. Para isso com uma espátula, deve-se pegar um pouco do fungo do vidro e introduzi-lo em potes plásticos com o substrato (completamente esterilizado em autoclave) para a "contaminação".
A boca desse recipiente deverá receber uma espécie de tampa, onde a "semente" será inoculada. Ela é feita de PVC de 50mm e tampa de 60 mm, cortada no sentido transversal. Para entrada de ar, é colocado um filtro de papel especial e, depois, a tampa. Os potes devem ser armazenados em um local fresco e com sombra.

NATURALMENTE PRODUTIVO

Ao contrário do que a maioria dos agricultores imagina, cultivar Shiitake não é tão complicado assim. O tabu nasceu do tempo em que o cogumelo era produzido em barracões que imitavam as condições ambientais do cogumelo na natureza. Portanto, essas casas de cultivo precisavam ter instalações mais sofisticadas - como luz artificial, proteção contra sol, chuva, ventos e animais em um total acompanhamento da umidade relativa do ar e da temperatura, tornando o investimento ainda maior.
O Shiitake, como muitos fungos, é uma contaminação na floresta e, em condições naturais se desenvolvem melhor. Além disso, o risco de ser atingido por doenças ou fungos competidores é muito menor.

CULTIVO

O Shiitake é um fungo degradador de madeira, por isso o cultivado é feito em toras de árvores recém-cortadas. No Japão, tradicionalmente, usa-se carvalho e castanheira, e, no Brasil, eucalipto. Além da facilidade de aquisição e baixo custo, a maioria das espécies de eucalipto preenchem todos os requisitos exigidos para a produção. Mas é preciso ficar atento na hora de escolher as toras. Escolhidas e cortadas as toras devem ser furadas da seguinte maneira:
Coloque-as sobre cavaletes e, com uma furadeira elétrica, faça os furos. O aparelho deve ter no mínimo, 500 wats de potência e 3 mil rpm. No mercado, há também furadeiras especiais, mas custam muito caro. Porém, o trabalho é mais rápido e preciso.
Os furos precisam ter 12 milímetros de diâmetro por 20 milímetros a 25 de profundidade, usando-se uma broca de 12 milímetros com limitador de profundidade. As brocas importadas, especiais para a perfuração de toras, são as mais recomendadas, pois fazer furos com mais exatidão. O espaço entre os furos deve ser de 20 centímetros.
Após furar a primeira linha, gire a madeira cerca de 5 cm para o lado e faça os outros buracos, que devem ser intercalados com o da anterior. O número de furos é quatro vezes o diâmetro da tora. Por exemplo, uma tora de 10 cm de diâmetro e um metro de comprimento receberá 40 furos. Com volume de um litro de micélio, inocula-se 8 toras padrão.

INOCULAÇÃO

Terminados os furos, a inoculação deve ser feito imediatamente, pois, se os buraquinhos permanecerem abertos por muito tempo, a chance de contaminação por fungos competidores será maior. Antes de iniciar o processo de inoculação, deve-se esterilizar com álcool todos os materiais que serão utilizados. As mãos também precisam ser higienizadas antes de se entrar em contato com as sementes. A inoculação é realizada com o auxílio de uma vareta ou inoculador (aparelho especialmente desenvolvido para o transplante do spwan). Se tiver muitos toletes, o ideal é utilizar uma inoculadora automática. O inoculador injeta no furo a quantia certa de "sementes", em torno de 5g.
Após a introdução do spawn na tora, é preciso vedaros furos para impedir a perda de água e o ataque de insetos. A vedação é realizada com parafina industrial em forma de barras e breu. A proporção certa 60% de parafina e 40% de breu aquecidos a aproximadamente 120ºC a 130ºC. O ponto ideal é indicado por uma fumaça esbranquiçada. A aplicação é realizada com um pincel de vara envolvido na ponta com uma espuma ou palha de aço. A mistura deve cobrir totalmente o furo, do contrário, poderá se desprender.
Terminado esse processo, a tora está "contaminada" e pronta para começar a produzir os cogumelos.

COMO ESCOLHER A TORA

Prefira toras com casca grossa e evite aquelas atacadas por insetos, doentes ou com casca danificada e com agrotóxicos. Elas devem ter o comprimento entre 80 e 120 centímetros, para facilitar o manuseio.
O diâmetro deve ser entre 10 a 12 cm. Se for mais fina, menor que 8 cm, o tempo de desenvolvimento do fungo e sua vida útil serão menores Se for grossa, com mais de 20 cm, o tempo de utilização e produção também será maior, mas o peso irá dificultar o transporte e o manuseio.
A casca não deve ter ferimentos nem estar danificada.
Para fazer o corte da tora na medida certa, o melhor é utilizar uma trena, ripa ou bambu no comprimento desejado, que servirão de gabaritos.
Para o corte, a moto-serra deve estar bem afiada, evitando que o tronco descasque ou faça feridas na casca, para evitar o ingresso e proliferação de invasores.
Se a moto-serra precisar de lubrificação, use óleo novo e nunca óleo queimado.
Depois de realizado o processo de inoculação, as toras devem ser levadas para um local onde permanecerão até o momento da frutificação. Mas antes de transporta-las é preciso escolher uma parte da floresta que mais se aproxime do habitat natural do Shiitake. O lugar, além de facilitar os trabalhos, deve ter boa circulação de ar, sem vento forte, com pouca iluminação.
A temperatura deve ser de 25ºC e a umidade relativa do ar, acima de 60%. Se o tempo estiver muito seco, aconselha-se irrigar os toletes com água limpa, que não contenha cloro.
"Tanto a falta como excesso de água é prejudicial. O excesso de água é prejudicial. O excesso favorece o aparecimento de fungos indesejáveis e a falta reduz o crescimento do micélio. A irrigação deve ser feita de manhã e à tarde. O cultivo do Shiitake é assim mesmo: exige apenas paciência e dedicação para se obter os resultados desejados.


Cogumelos Yama 2007 - Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Makem